Abas

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

nozes

Nossa conversa inteligente sobrepõe mãos tremulas.
Nossos pensamentos de mão dupla.
O dialogo é automático, palavras imediatas, é só um disfarce.
A malicia sim está consciente.

Júlia Carvalho.

sábado, 1 de outubro de 2011

Leia correndo!


Armada estava
Mouse no indicador
Teclado sob mãos duras
Dentes apertados
Olhos afoitos
Nós nos cabelos
Minhas palavras eram perseguidas por um tracinho piscante
Ele me agoniava
Ele me pressionava
- Escreva!
E eu teclei o empurrando, ele sumiu!
Digitei compulsivamente pra não lhe dar a ousadia de reaparecer.
Não podia parar
Parei
Ele apareceu de novo
E ele piscou, piscou, piscou
Finji não vê-lo
Apertei o backspace e o fiz voltar pro inicio
Toma, seu paquerador barato!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Um caso decrescente

 

Se houvessem palavras talvez eu conseguisse entender melhor. Não que a vida fosse seguir tranqüila, mas pelo menos eu estaria livre de enganos. Ouça, cansei de tentar abraçar o vento. Eu queria algo fixo e não passageiro. É que se já não der pra nós eu prefiro que você diga por que o subentendido é uma interpretação pessoal e as minhas têm sido das mais dolorosas. Eu tenho a impressão de que as coisas às vezes sobem, mas também descem. Oscilar é normal, mas entre nós o caso tem sido apenas decrescente.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Até o momento: sem titulo.


Eu tinha que decidir. Nuca vi dois caminhos tão visivelmente distintos. Eu sabia qual era o mais difícil, o quanto este iria me aflorar fortes sentimentos e o quanto que, de vez em quando, eu ia chorar por ter optado em desafiar o mundo. O outro caminho era composto por desafios comuns, tinha tudo pra ser o escolhido. Mas com amor é mais caro e meu saldo de coragem tinha aumentado tanto nos últimos meses que resolvi torra-lo com estilo. Arrumei minha bagagem interior e botei o pé no temido destino. O medo me encontrou em varias encruzilhadas, mas o arrependimento não agüentou o pique.

Júlia Carvalho.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Bobo encontro.

Precisamos sair, sem horário marcado para que não façamos expectativas inalcançáveis. Sem a existência de destinos ruins. Sem perceber, conversar sobre os mais idiotas assuntos civilizadamente. Pareceremos ridículos pra quem vê. Ficar nisso até a gente se olhar sem falar muita coisa, então as nossas bocas falarão sem o uso excessivo das cordas vocais, só com sorrisos, risos e simples “hum”, “uhum”. E se cair qualquer pingo de chuva nesse tempo tão escasso, a gente pode se molhar sem dó! E sentir o gosto de nuvem ao abocanhar as gotas d’gua. Nos três vamos nos abraçar. Eu, você e o mormaço que a terra libera ao encontrar-se com a água. Voltar a vida normal feliz e com novas previsões.
Júlia Carvalho.