Abas

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Nem sempre. Vez em quando.

As vezes a gente começa com o "as vezes" e as vezes a gente nem começa. Porém não são todos os dias em que conseguimos arrancar poesia do que passa desatento cotidianamente aos nossos olhos . Não são todos os dias em que enxergamos partituras nos fios dos postes ou simplesmente observamos a paciência do cobrador de ônibus. Não são todas as manhãs que encontramos senhoras caminhando com um terço em mãos. Nem todas lhe encaram timidamente na esperança de receber um bom dia, mas quando ele vem,  ela volta a se concentrar em suas ave-marias mais embaladamente. Não são todos os dias que encontramos um cachorro deitado nas entrelinhas de sombras de um viaduto, exposto a uma única de sol, absorto, olhando pro céu com os olhos semiabertos. Nem sempre ele sorri. Nem sempre ele lembra da língua insistente que carrega na boca. Também não são todos os dias que alguém se preocupa em acordar uma figura cansada no ônibus para que ela não perca o ponto. Alias, não é todo dia que você dorme no ônibus. Tem dias que a rotineira volta pra casa vira passeio. O intervalo vira recreio. E a gente passa a ver o trânsito como uma grande oportunidade de criar historias e tirar cochilos.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O grande Próton

Certa vez, Neutrôn, cansado do seu próprio conformismo, decidiu que seria um Próton. Saltou os muros do seu núcleo e saiu a provar para toda a eletrosfera pessimista que, apesar de pequeno, ele podia ser mais. Ser +1. Então os senhores Elétrons, levados por tal discurso, começaram a também pular seus muros e escapulir. Saltaram e vibraram para além do átomo. Quando as suas energias já estavam quase esgotadas - embora se sentissem melhores e mais animados - de tanto difundir as ideias protonianas, retornaram para casa provocando muita luz.
Hilza de Oliveira

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sinestesia

E se a gente girasse suas cores até a uniformidade?
Daria abacate.
com gosto de elegância, originalidade e receio.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Tecendo um texto

Distinto do vício, a vontade de escrever não é constante muito menos pontual, ela simplesmente faz cócegas, e a gente deita pra desamassar papeis e dobra-los em origamis. A gente espera o mais primitivo, queremos apanhar o sentimento do lugar exato onde descosturou e tranforma-los em comparações esdruxulas e metáforas de passarinho ao ponto de entender e sorrir mais claramente dos dedos estalados e o despontar dos olhos em direções saborosas. A gente sempre espera uma dança de palavras, cheias de coreografias e efeitos psicodélicos, mas vez ou outra ensaiamos um verdadeiro conjunto de palavras zumbis, drogadas sem porquê nem pra quê. Mas no final lá está a folha, uma verdadeira obra prima! Ou no minimo matéria prima pra origamis.

Júlia Carvalho

sexta-feira, 14 de junho de 2013

de leve

Ando em busca de palavras pro meu vocabulário pseudo cult
Daquelas que sem saber sabemos, exceto quando a duvida algema
Que levam nossa língua ao céu da boca
Que acenam divamente no meio da frase.
Mas cada suspiro de sono no meio da tarde me deixa vagarosa
e a mansa prosa, me pega, me apega, me aperta.
E fico burrinha, burrinha, repetindo "inerente, inerente" pro meu ser insistente
Existente de leve.
Júlia Caravalho