Abas

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Uma salva de risos, por favor.

Traço como meu
o objetivo de esticar as bocas alheias.
Cirurgiã do humor,
quero arrancar sorrisos que escapulam o rosto.

Encher seus pulmões,
menor e maior, de puro ar
e pocar de rir todo dono de alma
como plástico bolha.

É de prazer que falo. É por prazer que faço.
Cosquinhas embaixo da orelha,
Dentes fresquinhos ao ar.

Desapego as regras.
Reinvenção do óbvio.

­­
Meninas regras,
regadas a equilíbrio,
que desabam ao riso,
tentadas em sua puberdade.

Essa coisa de revolução do humor
é pura piada com amor.

Júlia Carvalho

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O acho, o mato e o céu.


Acho que nasci pro mato.
Digo "acho" porque tenho medo de cobra.

Dizem que Deus não dá asa a cobra.

Mas se ele tivesse dado, eu teria medo de olhar pro alto.
E também acharia que nasci pro céu.


Júlia Carvalho


(imagem: autor desconhecido)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Gangorra.



Coloca em B# que ela vai escrever.
Tão sustenido quanto o pensamento suspendido,
que mal existe, mal pode ser.

Cercada por palavras alheias que atravessam sem precisar,
Razão besta de ser, tão besta, que mal pode ser.

Pouco pontuda, suave de dar medo.
Tempo estranho pra sonhar
Tão estranho, que nem deveria ser.

Mas se não fosse esse palpável, “sentivel”, a gente sentava sem sentir o vento, e de nada valeria esperar.
Por isso o tempo se move como uma gangorra, tem horas que pende pro passado, tem horas que agacha pro futuro. E só assim pode ser.

Júlia Carvalho.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Som vivo.

Viver com ternura é sentir o acumulado nas entranhas como parte do processo. É ouvir o apertar da sanfona. Não o som do fole. Falo do barulhinho das teclas velhas ao serem pressionadas. Saber que nem todo barulho é ruído. Que os sons que vida prega também são mensagem, memória, sinestesia.
Viva o som vivo e habilidoso.
Viva o som que toca.
Toque o som que vive.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

O Canto nu.

O canto solto no ar.
Amigo do silencio
Dueto infalível

O resto de ar na garganta
O que fica entre as dobras
E escapa pelas pontas
preenchendo intervalos pirracentos
Enfeitando-os de cor.

As onomatopéias sem por quê
Mas cheias de pra quê.

Ah, o canto nu!

Há a explosão!

Júlia Carvalho