Abas

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Psychedelic mind

Querido, eu quero apagar as luzes e dançar ao som de Lana sob as luzes do meu abrir e fechar de olhos. Porque eu sou louca, baby. Eu vou descer essas escadas e sair correndo, eu sou perturbada e um carro quase me pegou. Eu vou tomar o drink da mão daquele cara, eu vou tomar, eu vou aceitar dos estranhos. As luzes inexistentes ainda estão a piscar. Você se incomoda com isso? É divertido e pisca no ritmo da minha corrida. Eu amo você, baby. Eu amo você. Eu sucumbi ao delírio, venha comigo, venha. Dança e olha para o céu que é o mais bonito de tudo nesse mundo, mas tem também o mar. As tuas vibrações com as minhas, põe teus dedos rente aos meus. Vem comigo, vem. Tem de vir dançando. Somos duas estrelas cadentes agora, alguém nos verá e poderá fazer duas súplicas. Você não quer vir? Você quer fazer amor? Então faremos. Chama-me de Carmim, de Scarlet e Rubi. As minhas bochechas elas estão da cor do pôr do sol. Sublime. É amor e posso sentir, você também? Esse suspiro diz que sim. Deite aqui do meu lado. Sua pele, ela é tão bonita e dourada de sol. Você prefere o mar e eu acho que você tem razão. Você entende tudo o que eu falo? Alguns dizem que eu estou doente e cada vez que eu ouço isso, baby, eu tenho vontade de mergulhar mais em mim mesma. As pessoas não valem nada e você vale tudo. Agora me dê um gole disso aí. Sabe, minha infância foi tão confusa, você conhece a minha história. Eu cresci, mas as memórias, a gente não tem a opção de apagá-las, elas me fazem padecer. E é por isso que nós bebemos não é? Para percorrer outros caminhos da mente. É bom ter você aqui, é lindo que você esteja segurando a minha mão enquanto eu falo. Posso deitar sobre o seu corpo? O amor é a droga mais forte, a alucinação mais louca e inexplicável, é o melhor êxtase que existe, não é, meu amor? 

Hilza de Oliveira

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Uma salva de risos, por favor.

Traço como meu
o objetivo de esticar as bocas alheias.
Cirurgiã do humor,
quero arrancar sorrisos que escapulam o rosto.

Encher seus pulmões,
menor e maior, de puro ar
e pocar de rir todo dono de alma
como plástico bolha.

É de prazer que falo. É por prazer que faço.
Cosquinhas embaixo da orelha,
Dentes fresquinhos ao ar.

Desapego as regras.
Reinvenção do óbvio.

­­
Meninas regras,
regadas a equilíbrio,
que desabam ao riso,
tentadas em sua puberdade.

Essa coisa de revolução do humor
é pura piada com amor.

Júlia Carvalho

segunda-feira, 28 de julho de 2014

O acho, o mato e o céu.


Acho que nasci pro mato.
Digo "acho" porque tenho medo de cobra.

Dizem que Deus não dá asa a cobra.

Mas se ele tivesse dado, eu teria medo de olhar pro alto.
E também acharia que nasci pro céu.


Júlia Carvalho


(imagem: autor desconhecido)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Gangorra.



Coloca em B# que ela vai escrever.
Tão sustenido quanto o pensamento suspendido,
que mal existe, mal pode ser.

Cercada por palavras alheias que atravessam sem precisar,
Razão besta de ser, tão besta, que mal pode ser.

Pouco pontuda, suave de dar medo.
Tempo estranho pra sonhar
Tão estranho, que nem deveria ser.

Mas se não fosse esse palpável, “sentivel”, a gente sentava sem sentir o vento, e de nada valeria esperar.
Por isso o tempo se move como uma gangorra, tem horas que pende pro passado, tem horas que agacha pro futuro. E só assim pode ser.

Júlia Carvalho.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Som vivo.

Viver com ternura é sentir o acumulado nas entranhas como parte do processo. É ouvir o apertar da sanfona. Não o som do fole. Falo do barulhinho das teclas velhas ao serem pressionadas. Saber que nem todo barulho é ruído. Que os sons que vida prega também são mensagem, memória, sinestesia.
Viva o som vivo e habilidoso.
Viva o som que toca.
Toque o som que vive.