Abas

sábado, 14 de abril de 2012

sexta-feira, 30 de março de 2012

Descuido

Foi como se tivesse chegado sem arrumar os cabelos.
Assustou-me!
Não havia se preparado e aqueles fios fora do lugar
... fizeram inteira diferença.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Troca


Inventei um pouco de ti dentro de mim. E, egoísta figura, guardei esse teu eu ignorando teu tu de verdade.
Quando tive tu de verdade perto de mim, tu virou marfim e teu eu, só meu, pareceu brita. Esnobei a figura perfeita que criei. Te adotei, te adorei mesmo sabendo que teu eu verdadeiro não seria tão meu quanto o que criei.










Júlia Carvalho

quinta-feira, 22 de março de 2012

Gatos caseiros

Gatos caseiros

Gatos amarelos, brancos, cinzas, alaranjados e pretos. Ah, os pretos! Estão na maioria das vezes reluzentes como carros desprovidos de plotagem. Seus olhos amarelados, realçam o tamanho dos bigode que lhes dão charme, lhes deixam sisudos. Gostam de deitar em coisas pretas, inclusive mochilas. Adoram cadeiras e apostilas. Odeiam tapetes. E não é surpresa abrir armários e dar de cara com um xaninho! Tenho uma mocinha que não aguenta ver a geladeira aberta.
Se lambem como granfinos de smoking e balançam o rabo como espadas polidas. Não tem intenção de ferir, só de se mostrar mesmo. Se espreguiçam meio que esnobes e empurram nossas mãos com o ''cocorute'' ao encontra-las penduradas num cochilo. Acham-se realmente donos da casa e tem, nos humanos, contraditoriamente como hospedes e garçons. Basta abrir o armário onde se esconde o pote de ouro, menos conhecido como ração, que o interesseiro aparece com a maior cara de gato, dando uma de cavalo do Beto Carreiro, ficando em pé sobre as patas traseiras. Creio que eles não gostam da ração verde, preferem a vermelha, nada vegetarianos, nada saudáveis. Tem também os ''momentos mosca'', o ousado sobe no seu colo, você o tira e, por mais forte que seja o empurrão, ele volta quantas vezes for preciso até monopolizar sua companhia. E o danado vence.
Gatos não são infiéis, são apenas as unhas, não se engane pelo fenótipo. Mas mantenha-se esperto, de bestas têm muito pouco. Felinos são espertos, são independentes, são donos de sí e de seus próprios donos. São reis imperando com seus casacos de pele.


Júlia Carvalho

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Desde não sei quando que tenho mãos grandes, dedos compridos e unhas curtas.

“Homem prefere mãos pequenas’’

“Homens preferem mãos delicadas’’

Mas meu pai sempre gostou das minhas mãos, até mesmo na hora que me mandava estender uma de cada vez pra levar umas palmadas.

Ele é homem.

Sempre me diz que puxei a ele nesse quesito, mãos fortes de quem trabalha, de quem produz.

E sim, eu quero produzir! Nem que pra isso eu tenha que "rancar" as unhas!

Tem outro querido que gosta das minhas mãos como são. Um cara bronzeado, com braços compridos e corpinho, literalmente, violão. Talvez até seja ele o canalha culpado por tudo isso, estiquei muito os dedos para lhe satisfazer, mas eu sempre o amei, e queria lhe fazer falar! Graças a minha persistência hoje ele fala pelos cotovelos, erra às vezes na pronuncia, mas não deixa de dizer o que pensa! Já falei pra ele que, nós dois iremos envelhecer, e nunca vou deixar o cupim chegar nele. Mas certamente, meus dedos irão calejar, minha pele há de ficar fina e sensível, minhas articulações podem até teimar, e consequentemente ele pode passar a falar um pouco menos, mas tive que prometer que meus dedos não diminuirão, promessa é divida, rei.

Júlia Carvalho