Abas

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

2018, coragem em pele de medo

2018 foi o ano do vai com medo mesmo.
Dei minha primeira aula de violão com medo
Entrei no mar mais vezes com medo
Peguei uber de madrugada com medo
Larguei o meu emprego com medo
Voltei a estudar com medo
Beijei a curva do rosto com medo
Dancei forró na rua com medo
Conheci o amor com medo
Abri o jogo em casa com medo
Entrei na terapia com medo
Aceitei o fim com medo
Usei meu primeiro maiô com medo
Fui sozinha pro rolê com medo
Paguei pra ver com medo
Escrevi isso aqui com medo
O nome disso é coragem, 2019.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

terça-feira, 27 de novembro de 2018

Assovio

Assoviar pra mim era como andar de bicicleta: algo que todo mundo aprenderia. Como um marco mesmo, algo natural, como a chegada da puberdade ou a primeira menstruação. Se bem que naquela época eu não sabia o que era menstruação. Aprendi primeiro a asssoviar. Não lembro exatamente em qual pedaço da infância, mas não foi muito tarde. Realizava, enfim, o sonho do instrumento próprio. Algo pra chamar de meu. Eu tinha o meu assovio. E eu assoviava tudo. Vovô proibiu de assoviar de noite. Eu não queria ser responsável por chamar as cobras. Me contive. Até hoje meu pai me reclama quando assovio. Ele diz que é sinal de ansiedade. Já brigamos sério por causa disso e eu continuou assoviando quando fico agitada. Hoje eu tive vontade de assoviar no meio de uma reunião de trabalho, dentro do uber, na sessão de terapia. Talvez meu pai esteja certo, mas a censura dele também me faz respirar com dificuldade. Assoviar faz mais bem que mal, aposto. É colocar o de dentro pra fora em forma de música. Faz mais bem que mal, aposto alto.

[assovie sua música favorita aqui]

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Da vida 
Só resta existir
E lidar
Por que fora existir
Só existe existir 
E viver é atravessar o pra sempre 

Só resta estar devagar  
Em cada lugar
Sem prever o sentir

Viver é se distrair