Abas

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

meu abandono

Eu sofri até o ponto necessário.
Até a linha lanzuda do teu abandono
não ter mais como se esticar
enrolando minha garganta.

Eu me achava desencorajada
e desrespeitava a minha fraqueza.
Achei que sentia mais do mesmo todos os dias
enquanto meu processo passava invisível diante dos meus olhos molhados.

Mas agora
chegada a hora do meu abandono
eu renuncio de tudo isso.
Eu renuncio do teu lençol de flores pequenas
Eu renuncio do barulho das cadeiras de tua cozinha
E de toda cúrcuma.

É que preciso renunciar do teu silêncio.

Agora. Ou mais breve do que nunca.



terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Enquanto houver pais,
ainda seremos filhos.
Depois disso seremos menos.
Seremos daí até o desnacer,
até a próxima certidão,
indigentes do misterioso existir.
Órfãos de respostas e certezas.

Mas enquanto houver pai e mãe
Enquanto houver responsáveis
por tal chegada não explicada
Nos seremos criação de alguém
E não somente poeira cósmica

Ass: Júlia, a Guimarães de mãe, a Carvalho de pai

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

2018, coragem em pele de medo

2018 foi o ano do vai com medo mesmo.
Dei minha primeira aula de violão com medo
Entrei no mar mais vezes com medo
Peguei uber de madrugada com medo
Larguei o meu emprego com medo
Voltei a estudar com medo
Beijei a curva do rosto com medo
Dancei forró na rua com medo
Conheci o amor com medo
Abri o jogo em casa com medo
Entrei na terapia com medo
Aceitei o fim com medo
Usei meu primeiro maiô com medo
Fui sozinha pro rolê com medo
Paguei pra ver com medo
Escrevi isso aqui com medo
O nome disso é coragem, 2019.


segunda-feira, 3 de dezembro de 2018