Abas

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

o sim e o regredir (ou não).

E finalmente abrira
Quando "sim" se tornou meu
Quando a permissão, agora reconhecida pela mãe, começou a engatinhar

Tinha medo de lhe viciar no bico
poderia deixar meu "senso crítico" frouxo
Ou no minimo dentuço.

E "sim" gostava do voo, apesar da sua maturidade de galinha
Via os poleiros como um atraso, por isso ninava-o no pé da cancela
Mas ele fazia o que queria, de qualquer forma criava-o como um passarinho manso.


sábado, 24 de novembro de 2012

Pés e passos


Que os meus pés, antes de chegar ao chão, sejam aparados pelo seu olhar. Me desvie, não quero deslizar. Com esse mesmo olhar, de quem lê, percebe e adivinha, enxerga além das minhas duas bolotas bem pretas jabuticaba. Decifra minha consciência, ri e se cala. E eu, pobre de mim, acho que estou causando estrago, sentindo-me verdadeiramente má, mas você tem certeza que não. Me derruba, me contorce de tal maneira que nem me dou conta. A cidade inteira a saber, bairros de A à Z, que eu já não sou a mesma. Eu fico descalça, eu confio em você!

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Saga de uma flor


   A garota passeava sobre seus sapatos de laços desamarrados pelo grande jardim, onde as pessoas brotavam, cresciam e se reproduziam como flores. Ela sempre encontrava mães perto dos pântanos segurando suas crianças, via homens cavando a terra com suas raízes violentas e velhos carvalhos contando histórias para as rosas que sentavam à sua volta. Esta pequena menina atendia por Dolores ou Lô, como era chamada por sua mãe. Procurava nesse jardim uma função, ela não sabia se enterrava suas raízes e fazia fotossíntese, como o resto dos moradores dali, ou se partia para plantar suas sementes em outros paraísos. Não entendia como, apesar de todos ali viverem em harmonia, muito felizes e satisfeitos, lhe aconselhavam a partir para longe. O que havia de tão entorpecedor lá fora? O mel das abelhas de lá é mais doce? Há mais sombra e água cor de céu? Dolores olhava para o horizonte todo fim de tarde e olhava o sol se pôr atrás da colina colorida, o que havia lá atras além de um sol guardado? Via-se o clarão subir por detrás da elevação, ela imaginava muitos vaga-lumes dançando o Bolero de Ravel. Vaga-lumes de luz verde, daqueles que moravam dentro do fogão a lenha de sua vó, onde o fogo não queimava, só aquecia. As luzes lhe chamavam, ela ouvia musica sair dali, apesar do vento não soprar muitos ruídos pro lado de cá. A música da colina chamava Lô como uma Iara chama os pescadores pro fundo do mar, não tinha outro modo de ser. Lô arrumou todo seu pólen dentro de suas pétalas e atravessou o portão do seu paraíso, o resto ela ainda não contou a ninguém.

Júlia Carvalho

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Colocando piso, perdoando-se.

Forrar o chão de pedrinhas, pedrinhas brilhantes como se a rua fosse minha, inteira minha. E os passos abrigados, registrados e fossilizados no meu tapete de memorias, ficam iluminados. Ilumina-los e torna-los resquícios de vivencias, de carências, de plenitude e o logo após, o sono. Nada de apertar, julgar e algemar o que passou, pode-se lembrar e ninar toda demência, toda a cega paixão. E quando ela dormir coloque-a no berço da lembrança e perdoa toda a ânsia que um dia te atingiu. É, dormiu...

Júlia Carvalho.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Finjo?

Talvez você tenha sido a primeira pessoa que me instigou de verdade, a primeira que me olhou como alguém que olha. Eu, tentando ser mais eu, primeira pessoa, me vi em você e quem sabe fingi te pertencer. Mas não, não funcionou.
O mundo é grande à alguns quilômetros daqui, você bem sabe, vai ver é por isso que não me acolhe, é uma questão de lógica. Mas nem preciso, sinto que chegou a hora de assumir pro meu ser maltratado que aprendi e entendi que não mais vou me tratar na terceira pessoa. Vou ser mais do meu instinto, no entanto, apertar o cinto e andar segura, constante, olhando as placas. Não preciso sinalizar, blá, basta entrar com segurança, na minha mão, segurando na mão de quem me tem, sem ser refém de nenhum bichinho de orelha.

ps: nunca te amei, assim como nunca achei que te quisesse. Juro.